9 livros para ler no Mês das Mulheres

Obras retratam a luta pela igualdade de direitos, além de desafiarem a noção de heteronormatividade e a sociedade patriarcal

Não é novidade para ninguém que 8 de março é celebrado o Dia Internacional da Mulher. A data mundialmente reconhecida homenageia a luta feminista pela igualdade de direitos desencadeada no início do século XX. Em um contexto de conflitos globais, eclodiram inúmeras manifestações feministas pelo mundo que também se posicionaram contra as péssimas condições de trabalho, a fome e a guerra.

Mais do que a reivindicação por equiparação de direitos, o Dia Internacional da Mulher celebra a luta feminina contra a ordem patriarcal da sociedade, quebrando paradigmas sociais sobre o papel da mulher, do homem, a sexualidade e tabus que até hoje permanecem incutidos no dia a dia social.

Para lembrar a data, listamos 9 livros que ilustram a luta feminina por igualdade entre homens e mulheres, mas que transcendem essa pauta e permeiam discussões como heteronormatividade, modelos familiares, liberdade sexual até a desigualdade entre mulheres brancas e negras. Confira:

1- Um teto todo seu, de Virginia Woolf

Baseado em palestras proferidas por Virginia Woolf nas faculdades de Newham e Girton em 1928, o ensaio Um teto todo seu é uma reflexão acerca das condições sociais da mulher e a sua influência na produção literária feminina. A escritora pontua em que medida a posição que a mulher ocupa na sociedade acarreta dificuldades para a expressão livre de seu pensamento, para que essa expressão seja transformada em uma escrita sem sujeição e, finalmente, para que essa escrita seja recebida com consideração, em vez da indiferença comumente reservada à escrita feminina na época.

2- O pomar das almas perdidas, de Nadifa Mohamed

Nessa poderosa narrativa, o leitor acompanha o ponto de vista de três mulheres sobre a opressiva ditadura militar na Somália (1969-1991) e a guerra civil que eclodiu posteriormente. Ao contar a história de uma guerra que chocou o mundo, Nadifa Mohamed desvenda a alma e a cultura do povo somali por meio de Deqo, Kawsar e Filsan. Em 2021, o livro ganhou uma nova edição, com capa da artista Leticia Quintilhano.

3- Este não é o seu lar, de Natasha Brown

Considerado por alguns a versão moderna de Mrs. Dalloway, o romance de estreia da autora britânica Natasha Brown escancara as microagressões diárias vividas por mulheres negras e contribui para o debate sobre temas como racismo, sexismo e classe na atualidade. Ainda que, para construir a narrativa, Natasha parta de sua experiência específica como mulher negra atuando no setor financeiro britânico, Este não é seu lar dialoga sobre questões que ultrapassam barreiras e impactam pessoas em todo mundo.

4- Destransição, baby, de Torrey Peters

Torrey Peters tem sua estreia literária no Brasil com um romance que aborda temas como gênero, sexualidade, relacionamentos e maternidade, além de conceder a autora a primeira indicação de uma mulher trans ao Women’s Prize for Fiction. A obra é história cotidiana de pessoas trans e cis cujas vidas se entrelaçam por meio de ações, decisões e conflitos, a partir do que todas elas têm em comum: medos, fragilidades, convicções e, muitas vezes, perseverança e vontade de fazer o que consideram certo.

5- Mademoiselle Chanel e o cheiro do amor, de Michelle Marly

Baseado em fatos reais, este romance narra um período fascinante e ainda misterioso da vida de Coco Chanel. Após a morte de seu amante, muitos temem que Gabrielle não consiga mais produzir, mas ela se renova com um projeto: a criação de um perfume que sintetize o cheiro do amor. Em sua busca pelo aroma perfeito, ela se inspira no perfume de Catarina, a Grande, e conhece Dimitri Romanov, príncipe russo exilado na França. Ao mesmo tempo em que se abre novamente para a vida, Gabrielle cria o Chanel N° 5, que se tornará o perfume mais famoso do mundo.

6- Frida Kahlo e as cores da vida, de Caroline Bernard

Frida Kahlo e as cores da vida é um romance contundente sobre feminilidade, história, arte e liberdade a partir da trajetória da pintora mexicana. Sempre assombrada por problemas de saúde e sabendo que sua felicidade poderia ser passageira, Frida se entrega à vida e descobre como trilhar o próprio caminho.

7- Simone de Beauvoir: a mulher de Montparnasse

Tendo como fio condutor a vida da escritora e filósofa, a narrativa combina dados biográficos e ficção. O livro acompanha a vida de Simone de 1924 a 1946, período anterior ao desenvolvimento da teoria feminista pela qual é amplamente conhecida. Na época, os editores rejeitavam os textos da filósofa alegando que eram inadequados. A narrativa também explora o relacionamento de Beauvoir e Jean-Paul Sartre, considerado polêmico, já que durante anos eles mantiveram uma relação aberta e nunca se casaram.

8- O pior dia de todos, de Daniela Kopsch

O romance é uma ficção criada a partir do Massacre de Realengo, como ficou conhecido o atentado a uma escola do subúrbio do Rio, em que um ex-aluno matou 12 estudantes, a maioria meninas, em abril de 2011. Escrito por uma jornalista que cobriu o episódio, a obra retrata a difícil experiência de crescer menina no Brasil, especialmente, quando os recursos são poucos e a imprevisibilidade da vida atua.

9- Efeito Lilith, de Maína Mello

Escrita por uma das mais jovens e talentosas astrólogas brasileiras, esta novela trata da influência da chamada lua negra, ou Lilith, no comportamento feminino. Ana, a protagonista de Efeito Lilith, se apaixona pelo melhor amigo do seu namorado, e com ele vive uma relação ardente. Para entender seus impulsos eróticos, e ciúmes que não consegue controlar, ela se aprofunda no estudo sobre o mito de Lilith e, aos poucos, consegue superar seus medos e confiar em seus talentos pessoais e artísticos.