BUSCA
    
MÍDIA SOCIAL
NEWSLETTER

24 de Outubro de 2017. Bem-vindo!
Você está em: Home » Notícias » Entrevista com Jorge Reis-S na Livraria da Folha
30/06/2016 - Entrevista com Jorge Reis-S na Livraria da Folha

Confira a entrevista completa com o autor de A definio do amor no e-commerce do jornal paulistano:http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/2016/06/1787134-literatura-nao-deve-ter-papel-algum-diz-escritor-jorge-reis-sa.shtml

Literatura no deve ter papel algum, diz escritor Jorge Reis-S

Jorge Reis-S define-se como um arquitecto, assim mesmo, mostrando que mesmo com o Acordo Ortogrficp da Lngua Portuguesa de 1990 estar em vigor desde 2009 h ainda diferenas entre o portugus de Portugal e o escrito/falado no Brasil.

"Gosto de construir argumentos para livros, de criar universos, de escrever com a pertinncia de um olhar geral", continua o escritor em entrevista, por e-mail, Livraria da Folha.

Reis-S lana no Brasil "A Definio do Amor", que sai pela Tordesilhas. No romance em forma de dirio um professor de filosofia recebe a notcia de que a mulher Susana est esperando um filho seu ao mesmo tempo em que descobre que a gravidez causou um AVC nela.

A histria se passa durante os tempos de gestao da mulher em coma e com uma prosa potica fortssima o autor portugus aborda temas como vida, amor e morte. A narrativa entrecortada por captulos que versam sobre personagens ligados trama principal e tratam de espinhosos como violncia domstica e pedofilia.

As semelhanas e diferenas entre os dois pases foram temas de algumas perguntas, assim como a "guerra de memes" que aconteceu h algumas semanas na internet.

O escritor responsvel tambm por uma coleo que publica clssicos da literatura brasileira em Portugal. Na entrevista ele fala mais sobre o projeto. Leia a seguir.

De onde partiu a ideia de "A Definio do Amor?

Da pergunta que encerra o ttulo. Como poderemos definir o amor? Pensei depois num dirio da perda (porque como digo talvez a morte seja sinnimo do amor) para melhor definir o amor absoluto. E pensei depois que Kirkegaard dizia que se pode definir algo pelos seus limites, e por isso na ideia das vsperas e dos limites do prprio amor.

Como o seu processo criativo?

Sou, mais do que tudo, um arquitecto. Gosto de construir argumentos para livros, de criar universos, de escrever com a pertinncia de um olhar geral. Por isso mesmo "A Definio do Amor" se passa por exemplo na mesma rua que o "Todos os Dias", com algumas das mesmas personagens. Gosto desta ideia de construo. Depois necessito de um ttulo. Sem um ttulo no consigo avanar. E costumo dizer que com o ttulo j "s" falta escrever o livro. A escrita, essa, tentativamente profissional. Sento-me para escrever, sabendo o que quero dizer no texto, e escrevo at sair como eu quero.

Uma das histrias presentes no livro a de agresso a uma mulher. O Brasil vive um momento em que o tema est na pauta do dia. Qual o papel da literatura em abordar o assunto?

A literatura, quanto a mim, no deve ter papel algum. O que no quer dizer que no possa ter. Mas deve e poder so coisas diferentes. Acho que a interveno na sociedade pode ser feita de vrias formas e a literatura mais uma delas. Mas no subjugo a literatura a isso, porque seno diminuiria a sua possibilidade artstica. No entanto, no quero deixar de expressar o meu repdio, o meu asco por todas esta situao. S h um culpado: o agressor. Tudo o resto areia que misginos e machistas querem atirar para nossos olhos. A violncia sempre condenvel. Neste caso mais ainda quando se trata de um combate totalmente desigual. So animais que deveriam ser enjaulados at conseguirem entender que so homens.

H algumas semanas Brasil e Portugal travaram na internet uma "guerra de memes". Voc acompanhou as postagens? Usa redes sociais para se comunicar com os leitores?

No acompanhei. A minha relao com as redes sociais muito utilitria mas no mau sentido. Porque no sei bem como tratar com elas. Tenho pgina no facebook mas ainda h dias em conversa com uma amiga ela me disse que sente que escrevo com caneta de tinta. Mas que em breve descobrirei a mquina de escrever! Ironias parte, no est muito longe do quo velho me sinto a deslizar polegares por telemveis ou escrever respostas a entrevistas no mesmo objecto. Que feito da carta e do selo? Voltem!

O que os dois pases tm em comum e o que mais tm de diferentes?

Somos irmos. Mesmo que um mais velho que outro. Nascemos da mesma saudade mas crescemos para dentro a partir de certa altura (os portugueses) e para fora (os brasileiros, desde o grito do Ipiranga). Poderia dizer que de comum tm a lngua, mas isso mentira. Falamos duas coisas diferentes que s uma, o que mais interessante se torna. Digo antes que temos de comum o gosto por uma bola a correr no relvado. E de diferente a quantidade de ttulos conquistada.

Como a recepo dos seus livros pelos leitores brasileiros? E em Portugal?

Tem sido fantstica, tanto c como l. Embora no Brasil j tenham feito estudos acadmicos sobre o que escrevo, enquanto que em Portugal tenham feito mais resenhas. Mas contactam-me de ambos os pases dando conta de como foram tocados pelos livros, o que me deixa muito feliz.

Voc tem um projeto no qual publica livros de autores brasileiros em Portugal. Como e por que ele surgiu?

Surgiu da necessidade que senti em ver a literatura clssica brasileira bem editada em Portugal. Fiz uma parceria com a Academia Brasileira de Letras que se mostrou muito interessada e entusiasmada em ajudar a suprir esta falta. E assim nasceu uma coleo que j vai em oito ttulo e ter em Setembro o nono.

At agora a coleo "Biblioteca da Academia" publicou autores clssicos brasileiros. H a ideia de publicar tambm autores contemporneos?

No est previsto. Mas como dizia um jogador de futebol portugus, prognsticos s no fim do jogo.

Dos livros da coleo, qual o seu preferido?

Difcil dizer. Dos oito publicados, destaco "Os Romances de Machado de Assis", "A Poesia Completa de Joo Cabral de Melo Neto" e "Os Sertes" de Euclides da Cunha. Porque so edies que se podem considerar nicas. E destes, talvez "Os Sertes" seja o livro que mais me fascinou.

ATENDIMENTO
Avenida Paulista, 1337, Conjunto 11
Bela Vista - So Paulo
CEP: 01311-200, Telefone (11) 5572-9474.
DISTRIBUIDORES
Clique aqui e confira a lista de
distribuidores do selo Tordesilhas
no Brasil e no exterior.
CONTATO
Clique aqui para acessar a área de contato e saiba como se comunicar com os departamentos do selo Tordesilhas.
webzero | laboratório de idéias