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21/03/2016 - O pomar das almas perdidas na Folha de S. Paulo

O jornal Folha de S. Paulo fez uma matria sobre o livro de Nadifa Mohamed:

Escritora de origem somali aborda a vida das mulheres na ditadura militar

Aos nove anos, a menina Deqo punida por errar numa apresentao de dana em um comcio do ditador somali Siad Barre. Ela no a nica a sofrer com a represso da ditadura em vigor em 1987. "O Pomar das Almas Perdidas", de Nadifa Mohamed, narra a dor de trs mulheres de diferentes geraes durante o perodo.

Aps Deqo ser espancada, Kawsar, uma senhora de quase 60 anos, tenta resgat-la e acaba presa. igualmente agredida por uma policial, Filsan, que, por sua vez, segue a sina das mulheres da narrativa e sofre em um ciclo de violncia em todas as suas formas.

A guerra civil na Somlia (1986-1992) acabou com duas dcadas de ditadura militar na regio e motivou a migrao da famlia da autora para a Inglaterra na dcada de 1980.

"Quis escrever sobre mulheres e pensar em como eu teria sido afetada se tivesse ficado na Somlia", diz Nadifa, em entrevista Folha.

Seu pai, marinheiro, viajou para o Reino Unido com a famlia em 1986 e decidiu no voltar. Expatriada desde os cinco anos, Nadifa fez faculdade de histria e poltica na St. Hildas College, vinculada Universidade de Oxford, e se tornou escritora.

O seu primeiro romance, "Black Mamba Boy" (2010), uma adaptao da biografia de seu pai que, quando jovem, peregrinou o continente africano em busca de sua origem familiar.

A frmula de resgate ancestral se repete no segundo livro. Dessa vez, Nadifa adaptou a histria da av, que, assim como Kawsar, quebrou a bacia e ficou paralisada. Aps ser atropelada, fica sem assistncia durante a guerra.

O romance aborda os efeitos da ditadura militar na vida das mulheres, vtimas de violncias especficas dentro do regime. "Em uma sociedade patriarcal, uma das poucas coisas que as mulheres tm so redes de apoio entre elas. Na Somlia, essas relaes eram muito fortes. Mas a ditadura destri qualquer rede que possa desafiar sua autoridade".

Segundo a escritora, a quebra dessas relaes levou muitas mulheres a virarem "espis do Estado", denunciando as atividades de suas vizinhas e de suas famlias.

Isso explica por que personagens como a soldado Filsan perderam seus laos comunitrios. "Algum como ela no capaz de solidariedade genuna. Talvez ela no tenha sido ensinada a ser solidria, e sim a obedecer e suspeitar dos outros", diz.

NACIONALIDADE

Apesar de a Somlia ser o cenrio de suas obras e estar em seu sangue, Nadifa no se identifica como uma escritora somali –ela se sente inglesa aps 29 anos fora do pas natal, especialmente porque a Somlia hoje um lugar completamente diferente do que ficou em sua memria afetiva. "Atualmente h mais conservadorismo, mas as mulheres tm mais oportunidades."

Seu sucesso chegou ao pas de origem, no entanto. Segundo a autora, "Black Mamba Boy" o livro mais encomendado na priso de Hargeisa, apesar de ainda no estar traduzido para o idioma local.

Ela agora trabalha no terceiro livro, sobre um marinheiro executado injustamente por um crime que no cometeu. Tambm uma histria real, que ela ouviu de seu pai.

NATLIA PORTINARI

DE SO PAULO

19/03/2016 03h04

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