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04 de Setembro de 2015. Bem-vindo!
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A rvore de carne
Lia Minpoty e Yaguar Yam
18,6 x 27,5 cm
52
O selo infantil Tordesilhinhas disponibiliza, em edio ricamente ilustrada por Mariana Newlands, seis contos da mitologia do povo maragu, descendente da antiga civilizao tapajnica – que desenvolveu sofisticada cermica decorada –, habitante da regio do rio Abacaxis, no Amazonas. O fato de ambos os autores serem originrios de tal cultura o diferencial de A rvore de carne, que anula a presena de um branco como intermedirio das narrativas: um paj sai em busca de novos poderes guiado por uma voz misteriosa (“O colar sagrado”); o deus Guarimong se encontra cercado por foras malignas e usa uma rvore para se defender (“A rvore de carne”); garoto deixa a aldeia e vai morar em plena mata por amor natureza (“O protetor das rvores”); jovem casal apaixonado desenvolve plano para conseguir o consentimento dos pais da moa (“Um casamento na aldeia”); homem resolve se opor s proibies da tribo e enfrenta as maldies de uma lagoa (“A lagoa encantada”); por fim, narrada a origem do povo maragu (“A origem do poo Guruppawa”). O volume contm um glossrio que explica os significados de palavras do idioma maragu – e de outras lnguas indgenas – e do vocabulrio tpico da Amaznia. Numa linguagem muitas vezes crua, que no faz concesso aos “brancos”, as surpreendentes e fascinantes histrias deste livro so metforas para explicar a religio, os mitos de origem e os costumes dos maragus, proporcionando ao jovem leitor uma experincia nica de troca cultural, alm de convid-lo ao respeito pelas diferenas e pelos descendentes diretos dos que habitavam o Brasil antes do Brasil.
A condessa sangrenta
Alejandra Pizarnik
18 x 26,5 cm
60
Em 1611 a condessa hngara Erzsbet Bthory foi condenada pelo assassinato de seiscentas e cinquenta jovens mulheres. Marcada pela perverso e pela demncia, a Dama de Csejthe passou para a histria como um smbolo do mal absoluto. Em seus crimes se vislumbram os limites extremos do horror. Com A Condessa sangrenta, Alejandra Pizarnik alcanou um dos pices de sua literatura, elaborando um retrato perturbador do sadismo e da loucura. Santiago Caruso soube recriar, com suas magnficas ilustraes, no s os detalhes da histria, mas tambm os atrozes sentimentos que a governam.
A fome
Rodolfo Tefilo
14 x 21 cm
380
Um clssico do naturalismo brasileiro, publicado originalmente em 1890, agora retomado pelo selo Tordesilhas mais de 30 anos aps sua ltima edio (Jos Olympio, 1979). Valendo-se da ideologia cientificista da poca, a narrativa descreve as angstias da mais longa seca nordestina de que se tem notcia, a de 1877-79, responsvel pelo desaparecimento de 4% da populao da regio, particularmente do Cear (a ento provncia mais atingida), e pela misria de milhares de outras pessoas. O romance acompanha a vida de retirantes reduzidos a condies animalescas, chegando ao extremo da autofagia para aplacar a fome. Considerado, por um lado, a pedra fundamental para a gerao regionalista dos anos 1930, principalmente para Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos e Jos Lins do Rego, por outro lado, o romance foi revestido pela faceta de “maldito”, especialmente por levar a tcnica naturalista ao extremo em descries cruas e detalhadas de misria e degradao humana. Em resposta aos detratores, o autor costumava apontar matrias de jornais que o teriam inspirado a criar as violentas cenas de sua obra. Ao lado do livro homnimo do noruegus (e Nobel) Knut Hamsun, publicado no mesmo ano, A fome de Rodolfo Tefilo apontado pelos registros da literatura universal como primeiro romance a tematizar o assunto que lhe d ttulo. O volume foi organizado por Waldemar Rodrigues Pereira Filho, doutorando em teoria literria na Unicamp e estudioso do romance, e posfaciado por Lira Neto, autor da nica biografia do romancista cearense. A presente edio traz ainda detalhada cronologia e bibliografia de e sobre Rodolfo Tefilo.
A maldio de Domar
John Ajvide Lindqvist
16 x 23
496
Um jovem casal leva sua filha, uma criana chamada Maja, para um passeio no farol do arquiplago sueco Domar, onde passaram parte importante de sua vida. Contudo, o momento de comunho transforma-se em um pesadelo quando a criana desaparece misteriosamente. A narrativa, ento, toma um salto de dois anos, tempo suficiente para uma mudana drstica na vida do outrora feliz casal. Separado de Cecilia, Anders agora um homem entregue bebida e apatia. Desolado, retorna ilha e logo comea a investigar o que de fato aconteceu filha, descobrindo antecedentes de acontecimentos estranhos no lugar. O elo comum parece ser o mar, cuja aparente calmaria guarda, sob suas profundezas, foras desconhecidas. Anders busca uma explicao, um sentido para a perda que, se por um lado no lhe parece absolutamente irremedivel, por outro no lhe apresenta chances claras de reversibilidade. Resta-lhe tatear, por vezes cegamente, procura de um resqucio de Maja, um sinal de que a manifestao de sua presena seja to possvel quanto ele deseja.O desespero de Anders traduzido num movimento pendular, em que se alternam a ao destemperada e uma espcie de torpor embriagado. O frio sueco ajuda a compor o cenrio de medo e desespero, na medida em que o clima glido s faz aumentaro terror paralisante a que est submetido Anders, que treme ora por frio, ora por pavor. Na ilha, Anders conta com o apoio de sua av, Anna-Greta, e o companheiro desta, Simon, que apesar de ter abandonado a carreira de longa data na mgica traz consigo um truque que no consta em nenhuma cartilha. Em A maldio de Domar, o autor John AjvideLindqvist expe personagens marcados pelo peso dilacerante da culpa e de segredos h tempos guardados sob o jugo do medo e numa tentativa de proteo. H, tambm, aqueles que lidam com fatos por demais dolorosos para serem admitidos. A narrao entrecortada por pensamentos de personagens fundamentais trama, artifcio literrio que deixa o leitor parte da disposio psicolgica daqueles, criando um efeito de “em primeira mo”. O leitor, assim, enreda-se na atmosfera de medo e mistrio que confere obra vigor consistente. O amplo uso de flashbacks – desenvolvidos com o mesmo primor que a narrao do tempo atual – d consistncia ao temperamento dos personagens, assomando verossimilhana. O leitor consegue entender com mais profundidade a formao de carter e personalidade das personagens, e em que medida os acontecimentos passados as transformaram. Na galeria de personagens marcantes, destacam-se ainda dois amigos com dilogos inspirados em msicas da banda de rock The Smiths, celebrada na dcada de 1980 por seu existencialismo melanclico e sua cansada rebeldia; a ex-queridinha da turma, que maltrata o rosto e o corpo com procedimentos cirrgicos que a enfeiam propositadamente; e a assistente de mgico cujo vcio em drogas coloca outras vidas sob ameaa. Se em Deixa ela entrar(2012) e em Mortos entre vivos (Tordesilhas, 2012)Lindqvistusou, respectivamente, vampiros e zumbis, agora a vez de presenas fantasmagricas ocuparem as pginas de seu livro. Com estilo inteligente e ritmo aguado, o autor mostra mais uma vez, emA maldio de Domar, seu talento em construir com estilo prprio uma atmosfera aterrorizante, que reflete idealmente os humores de seus personagens.
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