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24 de Outubro de 2017. Bem-vindo!
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O pomar das almas perdidas
Nadifa Mohamed
14 x 21 cm
296
Hargeisa, segunda maior cidade da Somlia, 1987. A ditadura militar que est no poder faz demonstraes de fora, mas o vento que sopra do deserto traz os rumores de uma revoluo, e em breve, pelos olhos de trs mulheres, vamos assistir ao mergulho do pas em uma sangrenta guerra civil. Aos 9 anos, atrada pela promessa de ganhar seu primeiro par de sapatos, a menina Deqo deixa o campo de refugiados onde nascera. Em circunstncias dramticas, conhece Kawsar, uma viva que logo em seguida presa e espancada por Filsan, uma jovem soldado que deixara a capital para reprimir a rebelio que crescia no norte.
Muito j se escreveu sobre a Somlia e a guerra civil que assola o pas desde os anos 1980, mas pouco se sabe sobre seu povo. Em seu segundo romance, a escritora britnica de origem somali Nadifa Mohamed se encarrega de trazer luz a vida, a lngua e a cultura dessa gente. Ambientado na cidade de Hargeisa s vsperas do conflito que engoliu o pas, O pomar das almas perdidas conta a histria de violncias e perdas de trs mulheres de geraes distintas. Deqo, Kawsar e Filsan se encontram pela primeira vez em um estdio, na festa de aniversrio da revoluo que colocara no poder uma ditadura militar. Aos 9 anos, Deqo, que s conhecia a existncia no campo de refugiados onde nascera, far uma apresentao de dana e por ela receber um desejado par de sapatos. Mas ela erra a coreografia e recebe uma punio. Das arquibancadas, a viva Kawsar, em seu eterno luto pela morte da filha adolescente, v a agresso e decide intervir. presa por Filsan, uma jovem soldado ambiciosa que em breve aprender uma lio dura sobre si mesma e o mundo dos homens. Os eventos que se desenrolam do momento da priso de Kawsar at a volta de Filsan delegacia so dramticos e determinantes do que vir a seguir. O livro acompanha ento a vida de cada uma das mulheres. Deqo se perde pelas ruas da cidade, perambulando pelas bancas do mercado at encontrar refgio na casa de prostitutas. Machucada, impossibilitada de se mover, Kawsar volta para seu bangal e passa a viver com a ajuda de uma jovem. Filsan retorna ao quartel e ao seu trabalho de patrulha. Nesse momento, a narrativa cresce e ganha uma qualidade potica admirvel, para a qual muito contribui a musicalidade das palavras somalis sussurradas aqui e ali. Aos poucos, a revoluo cresce e o conflito armado se instala de vez, obrigando a populao a deixar sua casa. Em meio aos escombros, aos cadveres, areia do deserto e s suas prprias perdas, Deqo, Filsan e Kawsar voltam a se encontrar para viver o seu destino final e comum, num trabalho magistral de construo de enredo que ajuda a explicar por que a revista Granta elegeu Nadifa Mohamed uma das melhores jovens escritoras britnicas de 2013. Mohamed criou una obra intrinsicamente feminina, que d voz s mulheres somalis sem polmicas de gnero, apenas com uma escrita vigorosa e cheia de nuances. Em um lugar desprovido de homens, a autora trata suas personagens com sensibilidade e reverncia.
Partir
Paula Parisot
16 x 23
280
Se o homem no pode decidir onde nascer, deve ento escolher onde morrer. Em Partir, um homem cujo nome e idade no conhecemos escolhe o seu destino: o Alasca. Ele no tem ocupao fixa, nunca se casou e no teve filhos. Um dia decide que hora de partir. Consegue emprestado o carro de um amigo, com o qual deixa Jack Kerouac, seu marreco de estimao e nica companhia, aluga o quarto e sala em que vive, no Rio de Janeiro, e pe o p na estrada. Errtico, toma o rumo do sul, seguindo primeiro para o Uruguai e a Argentina, depois Chile, Bolvia, Peru, Equador e Colmbia, de onde atravessaria para o Panam para seguir viagem at a imensido branca do Alasca. Ao esticar o caminho, estaria ele tentando alongar o prazer da viagem ou evitar a frustrao de, no fim, no conseguir encontrar aquilo que procurava? Enquanto viaja, o heri-narrador fala de comida, de alegria, de sofrimento e de a
Contado em primeira pessoa, Partir acompanha a trajetria do narrador, um homem sem amarras que preza pela liberdade individual e sai em viagem pela Amrica Latina com o objetivo final de chegar ao Alasca. No caminho, conhece figuras inusitadas, enquanto faz digresses e reflete sobre sua vida. Escrito ao longo de trs anos, este o terceiro livro publicado por Paula Parisot, que lanou pela Companhia das Letras A dama da solido, coletnea de contos finalista do Prmio Jabuti, e pela editora Leya o romance Gonzos e parafusos, para o qual criou uma performance.
Raymundo Curupyra, o caypora
Glauco Mattoso
14 x 21 cm
256
Raymundo um sujeito extremamente azarado, assombrado pela urucubaca, por isso vive se metendo nas piores encrencas imaginveis, como ser sequestrado, torturado e ingressar na poltica. Sempre ao seu lado, tentando diminuir o fardo, est seu amigo Craque, que usa um certo poeta cego como escravo sexual.
Trata-se de uma obra nica no gnero. Um romance contado (ou cantado) em duzentos sonetos herico-decasslabos, a histria tem lugar numa So Paulo contempornea e decadente, onde se desenrolam a ascenso e o fracasso de dois amigos inseparveis, Raymundo e o apelidado Craque. Raymundo um sujeito extremamente azarado, assombrado pela urucubaca, por isso vive se metendo nas piores encrencas imaginveis, como ser sequestrado e torturado. Sempre ao seu lado, tentando diminuir o fardo, est seu amigo Craque, que usa um certo poeta cego como escravo sexual. Entre aventuras e desventuras ambos acabam em um conflito violento na Cracolndia, antecipando pela arte as intervenes policiais naquela regio em 2012. Curiosidades sobre a obra: - Orelha assinada pelo escritor Marcelino Freire; - Posfcio do professor Joo Adolfo Hansen; - O livro preserva a ortografia vigente antes do Acordo Ortogrfico de 1943 como uma forma particular de protesto do autor que, desde 2009, vem adotando tal formato por entender os acordos ortogrficos como deliberaes autoritrias e arbitrrias promulgadas pelo Estado.
Senhorita Christina
Mircea Eliade
19 x 27 cm
184
Em traduo direta do romeno, a luxuosa edio do TORDESILHAS guarda outro presente: as belas ilustraes de Santiago Caruso, argentino que ilustrou A condessa sangrenta, de Alejandra Pizarnik, tambm publicado por este selo. O posfcio do romeno Sorin Alexandrescu, sobrinho de Mircea Eliade e especialista na obra do tio.
Depois de tantos vampiros amansados, que at renunciam ao sangue humano, nada como oferecer terror de primeira qualidade ao pblico apreciador do gnero, permeado pela maldade que fez a carreira e a fama desses seres meio mortos, meio vivos. Senhorita Christina uma novela rigorosamente dentro dos padres internacionais do vampirismo, com um detalhe: foi escrita por um dos maiores intelectuais do sculo XX, Mircea Eliade, mais conhecido como historiador das religies, e no pas de origem do conde Drcula – a Romnia. O ano 1935. gor, jovem e belo artista plstico, e o professor Nazarie, arquelogo, so hspedes do imenso casaro sede de “Z.”, latifndio decadente em Giurgiu, distrito na fronteira romena com a Bulgria. A senhora Moscu, dona da propriedade, vive com as filhas Sanda, uma jovem adulta, e Simina, de nove anos. medida que os dias – e sobretudo as noites – passam, fenmenos cada vez mais estranhos se sucedem, a comear pelo comportamento da senhora Moscu – acometida de sbitas ausncias, como que hipnotizada por algum – e de Simina, cujo cruel cinismo incompatvel com uma criana. Sanda, por sua vez, parece prisioneira de um terrvel segredo que no consegue ou no pode explicar a gor, por quem se apaixona. Aos poucos, os hspedes percebem a ascendncia de senhorita Christina, irm da senhora Moscu morta aos vinte anos, durante uma revolta de camponeses que tomou a Romnia em 1907. Seu quarto permanece intocado, e o enigmtico retrato da dama domina o aposento, impressionando gor. Simina diz conversar com a tia morta e ela mesma comea a aparecer em sonhos para o artista, a quem revela sua paixo. Sonho e realidade vo se mesclando, e gor j no sabe distinguir se delira com a presena de Christina em seu quarto, onde ela deixa a inconfundvel fragrncia de violeta, ou se est se envolvendo com a loucura de uma famlia doentia. Tudo se encaminha para o embate velado entre Christina, mistura de fantasma e vampiro, e Sanda, que disputam, em condies bastante desiguais, o amor do mesmo homem. Este, por sua vez, acossado pela volpia da morta-viva, em cenas de extrema sensualidade, enquanto se compromete com Sanda – j agonizante no leito, atacada por moscas espectrais que vo lhe sugando o sangue. O final apotetico, e no se revela aqui para se preservar o prazer da leitura. Porque, de fato, a leitura de Senhorita Christina prazerosa, sobretudo para os que apreciam o suspense e o terror. A atmosfera lgubre, mas sem aqueles exageros que hoje at soam cmicos: nada de dentes caninos protuberantes, castelos tenebrosos, morcegos ameaadores ou urnas funerrias que servem de cama quando surge a aurora. A fatalidade impera, e todos os personagens so prisioneiros da presena diablica de Christina at o desenlace da narrativa. E todos so psicologicamente densos, ao ponto de Simina, com sua perfdia protegida pela aparente fragilidade de criana, aterrorizar o leitor. Ao mesmo tempo, uma intensa sensualidade permeia o livro – acusado de “pornogrfico”, quando publicado em 1936, o que valeu a Eliade uma suspenso temporria da universidade onde lecionava. Em traduo direta do romeno, a luxuosa edio do Tordesilhas guarda outro presente: as belas ilustraes de Santiago Caruso, argentino que ilustrou A condessa sangrenta, de Alejandra Pizarnik, tambm publicado por este selo. O posfcio do romeno Sorin Alexandrescu, sobrinho de Mircea Eliade e especialista na obra do tio.
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