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30 de Julho de 2015. Bem-vindo!
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27
Kim Frank
16x23cm
216
A “maldio dos 27” fez mais uma vtima, recentemente: Amy Winehouse. A lista dos cantores que morrem nesta idade pontilhada por celebridades: Brian Jones, fundador dos Rolling Stones, o guitarrista Jimi Hendrix, a cantora Janis Joplin, o vocalista do The Doors, Jim Morrison, e Kurt Cobain, lder do Nirvana. Andr Barcinski, da Folha de S. Paulo, vai mais longe: “Se ampliarmos a lista para a faixa de 25 a 29 anos, podemos incluir ainda Tim Buckley, Gram Parsons, Danny Whitten (Crazy Horse), Tommy Bolin (Deep Purple), James Honeyman-Scott (Pretenders), Hillel Slovak (Chili Peppers), Frankie Lymon (The Teenagers), Shannon Hoon (Blind Melon), Bradley Nowell (Sublime) e muitos outros”. A macabra coincidncia inspirou o jovem escritor alemo Kim Frank a escrever 27, romance sobre Mika – que, s vsperas de completar dezenove anos, e pouco depois de perder o nico amigo fulminado por uma overdose de ecstasy, descoberto como letrista e vocalista de uma nova banda, a “Fears”. Solitrio e hipocondraco, com a me sempre ausente e o pai sequer conhecido, alm de ter convivido na infncia com a lenta agonia de um tio vtima da AIDS, Mika rapidamente transformado em celebridade. Um impacto e tanto na vida de algum obcecado com a certeza de que morrer aos 27 anos, como tantos rockstars que povoam a coleo de vinis e biografias legada pelo tio. O sucesso de Mika e da Fears, ao longo dos anos, proporcional intensidade com que o cantor se envolve com (muitas) drogas, bebidas e escndalos amorosos, afastando-se cada vez mais de seus parceiros de banda. At que o aniversrio de 27 anos mergulha o cantor no mais absoluto e depressivo isolamento, espera da morte. Lanado na Alemanha em maio de 2011, 27 parte de uma premissa curiosa para tratar ficcionalmente dos bastidores do mundo real da msica pop e da indstria fonogrfica, do fascinante – e terrvel – universo das celebridades e das angstias de nosso tempo.
A fome
Rodolfo Tefilo
14 x 21 cm
380
Um clssico do naturalismo brasileiro, publicado originalmente em 1890, agora retomado pelo selo Tordesilhas mais de 30 anos aps sua ltima edio (Jos Olympio, 1979). Valendo-se da ideologia cientificista da poca, a narrativa descreve as angstias da mais longa seca nordestina de que se tem notcia, a de 1877-79, responsvel pelo desaparecimento de 4% da populao da regio, particularmente do Cear (a ento provncia mais atingida), e pela misria de milhares de outras pessoas. O romance acompanha a vida de retirantes reduzidos a condies animalescas, chegando ao extremo da autofagia para aplacar a fome. Considerado, por um lado, a pedra fundamental para a gerao regionalista dos anos 1930, principalmente para Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos e Jos Lins do Rego, por outro lado, o romance foi revestido pela faceta de “maldito”, especialmente por levar a tcnica naturalista ao extremo em descries cruas e detalhadas de misria e degradao humana. Em resposta aos detratores, o autor costumava apontar matrias de jornais que o teriam inspirado a criar as violentas cenas de sua obra. Ao lado do livro homnimo do noruegus (e Nobel) Knut Hamsun, publicado no mesmo ano, A fome de Rodolfo Tefilo apontado pelos registros da literatura universal como primeiro romance a tematizar o assunto que lhe d ttulo. O volume foi organizado por Waldemar Rodrigues Pereira Filho, doutorando em teoria literria na Unicamp e estudioso do romance, e posfaciado por Lira Neto, autor da nica biografia do romancista cearense. A presente edio traz ainda detalhada cronologia e bibliografia de e sobre Rodolfo Tefilo.
A pianista
Elfriede Jelinek
14 x 21 cm
336
A pianista um romance construdo a partir da fora do choque. O esplendor esttico da melhor msica se bate com a progressiva tortura que as personagens instalam em si mesmas e umas contra as outras. A dor que esse tipo de relao destrutiva gera logo se une ao prazer esttico para mostrar o lado obscuro da arte: obsesso, irracionalidade, cobrana e medo do fracasso. A prpria linguagem carregada de choque. Luminosa e cheia de vio, o que ela cria porm um mundo repressivo e violento. O leitor percebe o paradoxo que acompanha a arte moderna: apesar da tcnica apurada da autora, o resultado final cheio de angstia e dvida para tudo que diz respeito condio humana. A professora de piano, assim, carrega no seu ntimo uma espcie de dor universal: a arte que ela ensina capaz de atingir qualquer pessoa. Os Concertos de Brandenburgo, uma das preferncias dela, por exemplo, ultrapassam as amarras culturais para atravessar povos e pocas. Como eles aparecem ao lado de um sofrimento tambm intrnseco, a dvida que atravessa cada uma das pginas assusta: estaramos condenados, mesmo no que temos de mais grandioso, dor? O romance no ir responder pergunta, mas mostrar seus vrios lados. Se, de fato, uma das funes mais sofisticadas da arte for a de mergulhar nos cantos mais profundos do ser humano, todo o aplauso que a obra-prima de Elfriede Jelinek recebeu e continua recebendo mais do que justificado. Como acredito que a arte deva iluminar a conscincia, tambm bato palmas para A pianista. RICARDO LSIAS Autor de Anna O. e outras novelas, Duas praas e O livro dos mandarins
As trs balas de Boris Bardin
Milo J. Krmpotic
14 x 21 cm
128
Na Argentina dos anos 1980, Boris Bardin e seus dois irmos, tentam sobreviver pssima situao financeira. Como se no fosse suficiente, Boris, o mais velho, s pensa em se vingar de quem lhe deu trs tiros e o deixou invlido. Completamente alheio crise dos trs irmos, um investigador chega da capital para averiguar o roubo de um carro forte. As duas histrias so contadas paralelamente, por narradores diferentes, e se cruzam aos poucos at culminar em um final de tirar o flego.
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